sábado, 10 de novembro de 2012

Coluna do sabadão


Thiago Lins

(Interino)

Capital eleitoral

A divulgação do orçamento das campanhas para a Prefeitura do Recife, feita na quinta-feira pelo TSE, mostrou a receita gorda do prefeito eleito, Geraldo Julio (PSB): mais de R$ 7 milhões, contra menos de R$ 3 milhões de Humberto (PT), que teve o segundo maior caixa.

É fato que ninguém ganha uma disputa política sem dinheiro. Porém, atribuir uma vitória política exclusiva ou principalmente a dinheiro é precipitado e reducionista. No livro Freakonomics - O lado oculto e inesperado de tudo o que nos afeta, os escritores Steven Levitt e Stephen Dubner levantam uma questão pertinente: o dinheiro é responsável pelos votos de um candidato ou é o magnetismo do candidato que é responsável pelos votos e pelo dinheiro?

Magnetismo não é algo que se mensure: a política nunca foi uma ciência exata. Contudo, interpretações podem levar a crer que os votos, ou melhor, a simpatia do eleitor, podem chegar antes do dinheiro. Nos EUA, em 2008, Barack Obama arrecadou US$ 747,8 milhões, recorde que atingiu principalmente por causa de pequenas doações (de eleitores), que voltaram a ser determinantes, ainda que num grau menor, em 2012. Embora não tenha mais o status de mito que alcançou em 2008, Obama ainda é um ícone viral.

E o fator viral nada mais é do que uma reedição do bom e velho boca a boca, sendo este mais próximo da nossa vida severina. Guardadas as devidas proporções, a vitória de Sebastião Dias (PTB), em Tabira, no Sertão do Pajeú, representa outro caso emblemático. Durante a disputa, Dias trabalhou duro para contar as muitas notas - de nada mais do que R$ 2 - que municiaram sua vitoriosa campanha.

Dinheiro conta sim, se esta é a pergunta. Mas, seja no Sertão ou na América, os casos mostram que a força dos laços pode ser determinante. Isso também constitui um capital, só que eleitoral - e inestimável.  

Puxando o freio - Durante almoço no Palácio do Alvorada, anteontem, com a presidente Dilma Rousseff (PT), o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), tentou pôr um freio no PMDB. Gomes afirmou que, caso os peemedebistas fiquem com as Presidências da Câmara e do Senado, os cargos já estariam 'de bom tamanho'. O governador foi além, defendendo que em 2014 o PSB deveria ocupar a vaga de vice numa chapa com Dilma, sendo Eduardo Campos o mais indicado. Cotado para disputar a Presidência em 2014, nem Eduardo escapa da 'manobra de frenagem' de Cid.

Entendimento político - Apesar de elogiar o governador Eduardo Campos, o deputado federal Augusto Coutinho (DEM) não acredita numa fusão com o PSB. Na avaliação do democrata, poderia haver apenas um 'entendimento político' entre as duas legendas. 'Tudo tem que ser feito no momento certo. Não podemos perder a coerência dos fatos', avisou Coutinho, em entrevista à Rádio Folha, ontem.

Crise - Como mostrou o blogueiro na reportagem da série sobre a seca, ontem, a estiagem dizimou a produção de mel em Araripina. A atividade, até então uma das mais rentáveis do município, rendeu apenas 300 toneladas do começo do ano até agora. Bem menos do que no ano passado, quando a produção atingiu 2100 toneladas. Já em Exu, a festa do centenário de Gonzagão pode perder o brilho. Lá, proprietários não têm conseguido alugar seus imóveis, que seriam ocupados durante o evento.

Exceção - Em Alagoas, a viagem do governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) ao Canadá, acompanhado pelo seu vice, José Thomaz Nonô (DEM), gerou uma situação excepcional. O Governo seria assumido interinamente pelo presidente da Assembleia Legislativa daquele Estado, Fernando Toledo (PSDB), que está doente. O cargo então foi assumido pelo presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, Sebastião Costa. O governador e o vice foram ao exterior em busca de projetos para a área de agricultura.   

CURTAS

Bem na foto - O Jornal de Brasília apontou o prefeito reeleito de Petrolina, Julio Lóssio (PMDB), como um dos nomes para disputar o Governo do Estado em 2014.

Nova reforma - Defensor da regulação da mídia e da reforma do Judiciário, José Dirceu (PT) pode ter que mudar de foco. Condenado, deve se preocupar mais com a reforma do sistema penitenciário. 

PERGUNTAR NÃO OFENDE - O que Cid Gomes pretende frenando o vôo de Eduardo?

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